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POR DENTRO DA CUCA

“Cozinhar é um ato de amor": confira os bastidores do concurso do Festival da Cuca em Brusque

Competição reuniu desde confeiteiros iniciantes a professores da área

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"Cozinhar pra alguém é um ato de amor. Porque você está gastando seu tempo ali, não é algo que você compra e dá para alguém. Cozinhar leva tempo”, assim entende Gabrielle Maus, de 27 anos, que participou do concurso Resgatando a tradição da cuca alemã, no Festival da Cuca, no último fim de semana, em Brusque. 

O evento recebeu 24 inscrições e reuniu moradores de diversos lugares do estado e de diferentes realidades, dos cozinheiros iniciantes aos professores de confeitaria. O repórter fotográfico Vitor Souza acompanhou os bastidores das baterias do concurso até a grande final em que Auzeni Maria de Souza Haskel levou o grande prêmio com a Cuca de Damasco, combinando o fruto com laranja e farofa de castanhas. 

Logo ao chegarem aos espaços onde a competição foi realizada, foi possível ver o nervosismo dos competidores iniciantes. O torneio foi realizado no sábado e no domingo, com três baterias classificatórias e duas etapas finais.

O desafio do concurso consiste em os cozinheiros produzirem suas receita de cuca ao vivo na frente do público e dos jurados. Cada competidor produz duas cucas iguais – uma é destinada às dinâmicas do concurso, enquanto a outra é doada ao instituto da Rede Feminina de Combate ao Câncer para que possa ser comercializada. Durante a produção, os avaliadores passam de mesa em mesa acompanhando a execução das receitas e conhecendo os candidatos.

Durante uma conversa com alguns cozinheiros no início da disputa, entendeu-se que parte deles buscaram o concurso como uma forma de teste para ingressar no ramo de forma profissional; outros decidiram participar com o intuito de divulgar um determinado sabor de tradição familiar e houve também aqueles com interesse em alcançar mais reconhecimento na culinária.

Entre os ingredientes, do damasco às nozes, do chocolate e frutas vermelhas ao maracujá. A variedade de frutos e itens mostrou a desenvoltura dos confeiteiros para trabalhar com vários tipos de sabores.

Na cabeça dos competidores, o pensamento se dividiu entre lembrar-se dos ingredientes e correr contra o tempo para finalizar os pratos. Todos os concorrentes tiveram duas horas para deixar as cucas prontas e cortadas para a prova dos jurados. Gabrielle Maus foi uma que literalmente correu pelo espaço destinado ao concurso para conseguir montar sua cuca. 

Natural de Indaial, a confeiteira venceu o concurso da Melhor Cuca do Vale, em Indaial, em 2024, mas participou pela primeira vez do festival em Brusque. Ela apresentou a cuca Surpresa de Ameixa.

Ela ingressou na confeitaria aos 15 anos e hoje conta que atua mais por hobby. “Hoje em dia é mais para manter a tradição com as crianças. Eu acho bonito essa tradição de cozinhar com os filhos, cozinhar para a família”.

Para ela, um grande desafio foi o tempo. No primeiro dia da competição, visitantes já haviam visto a cozinheira na “correria”. 

“Senti um misto de muita ansiedade, mas muita felicidade. Eu me senti num parque de diversões, na montanha-russa. Então uma hora dava medo, uma hora alegria”, disse.

Os fornos também foram um motivo de preocupação. Afinal, não adiantava os confeiteiros acertarem a receita e errarem ao levar a cuca ao forno. Jean Prado, de Joinville, foi um dos que adquiriu um maquinário semelhante ao usado na competição, assim como Sandra Ribeiro, de Brusque.

Colocadas as formas no forno, era hora de limpar as panelas, recipientes e colheres. Enquanto isso, restava torcer para que a massa crescesse como deveria e que nada ficasse cru ou queimado.

Jean, em sua bateria, foi um dos últimos a retirar a cuca do forno. Faltando poucos minutos, foi possível ver a pressão sobre ele aumentando. Em outros momentos, com outros competidores, a pressão pelo tempo e o incômodo com a presença das câmeras também ficou visível.

Cabe destacar a concentração dos participantes na finalização das cucas, em todo o cuidado para deixar os pratos o mais bonito possível para também conquistar os jurados pelos olhos. 

Elisete Antunes, de Gaspar, participou pela primeira vez do concurso do Festival da Cuca. A competidora apresentou a Cuca da Oma Téti, de banana. 

Apesar da preocupação de estar produzindo fora do conforto de sua cozinha, viu na fé uma maneira de manter o controle. “Eu dizia pra Deus que ia ser como Ele quisesse que fosse. E em todo momento eu sentia a presença de Deus ali”.

Ao passar para a segunda fase da competição, sentiu-se mais tranquila. “O intuito de fazer a cuca da minha Oma era trazer uma memória afetiva em todas as pessoas que estavam provando a minha cuca”.

A confeiteira produz para a família e amigos e para a comunidade da igreja. “Eu acho que a comida une as pessoas. Se você cozinha e convida alguém para comer na sua casa, é porque você tem uma sintonia com ela. E o mais prazeroso para quem cozinha é ver as outras pessoas satisfeitas com aquilo que você cozinhou. E eu pensei, por que não participar? Já que a minha família gosta, meus amigos gostam, eu posso proporcionar esse sabor para outras pessoas”.

Avaliação dos jurados

Entre os critérios de avaliação dos jurados, foram analisados: massa, recheio, harmonia dos sabores, apresentação da cuca e boas práticas (higiene). 

A pontuação final de cada cuca foi obtida pela da média das notas de cada um dos jurados. 

Ainda durante a produção dos bolos, conversei com a jurada Rose Campi, que apontou alguns dos principais critérios e onde os competidores costumam errar. Em um dos exemplos, mencionou que uma das cucas avaliadas possuía mais recheio do que massa.

No pódio, Auzeni Maria de Souza Haskel, de Brusque, ficou com o primeiro lugar, ao produzir a Cuca de Damasco. Sandra Ribeiro, também de Brusque, em segundo com a cuca Encanto de Maçã, e Natiane Hiss Androukowitch Velz, de Pomerode, levou o terceiro lugar com sua Cuca de Frutas Vermelhas. 

A receita vencedora carrega uma história familiar. A combinação de damasco, laranja e farofa de castanhas tem como base uma receita que Auzeni aprendeu com a sogra e que, ao longo dos anos, passou a preparar para a própria família. Esta foi a quinta vez da confeiteira na competição.

“Eu faço com muito carinho e toda a minha família gosta. Acho muito importante que esse concurso continue, porque é uma tradição muito bonita. Quero que outras pessoas também participem e tenham a oportunidade de ganhar um dia”, disse. 

As três competidoras foram premiadas com troféus. A vencedora ganhou uma diária no Fazzenda Park Hotel, um fogão Gran Cheff Fischer e um vale-compras Havan. Já a segunda colocada recebeu uma diária no Fazzenda Park Hotel, uma Airfryer Smart Fischer de 8 litros e um vale-compras Havan. Já o terceiro lugar foi premiado com uma Airfryer Prime Fischer de 6 litros e um vale-compras Havan.

Natiane participou pela primeira vez do concurso. Acompanhei sua primeira bateria e, naquele momento, ela apresentava bastante nervosismo. Ela trabalha com confeitaria, mas não na área de cucas. A cozinheira pensou que não iria conseguir participar da competição por conta do nervosismo, mas após a primeira rodada, ficou aliviada e contente por ter avançado de fase e conquistado o terceiro lugar. 

O Festival Nacional da Cuca reuniu mais de 15 mil pessoas e foi a maior das 13 edições da festa. Além do concurso, houve ainda feira de artesanato, barracas do Temperô Itinerante, apresentação musical e até oficina de culinária infantil.

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