Uma experiência de imersão em uma cultura completamente diferente. Foi assim que os alunos do Colégio São Luiz definiram o intercâmbio realizado em Macau, na China. Durante duas semanas, cinco alunos da instituição participaram da experiência na região administrativa especial da China, acompanhados pela coordenadora do Programa Bilíngue, Mariane Werner Zen, e pelo diretor do Colégio, padre Silvano João da Costa.
O intercâmbio teve como proposta aproximar os estudantes da realidade local a partir de três dimensões: educacional, cultural e religiosa. Diferente de outras experiências promovidas pelo Colégio São Luiz, desta vez a programação não teve como foco a vivência escolar dos alunos, mas o contato com a história, os costumes, a população e as diferentes manifestações religiosas da região.
“Foi uma oportunidade de conhecer e comparar os sistemas educacionais, vivenciar diferentes expressões religiosas e entrar em contato com uma cultura milenar, com modos de pensar e agir distintos dos nossos. Essa vivência ampliou nossos horizontes e enriqueceu nossa compreensão do mundo”, avalia o diretor do colégio, padre Silvano João da Costa.
A viagem também esteve relacionada às comemorações dos 450 anos da Diocese de Macau. Durante a permanência na região, o grupo acompanhou o trabalho dos padres da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), que atuam com jovens e comunidades locais, além de conhecer instituições de ensino e diferentes espaços ligados à história de Macau.
Segundo a coordenadora do Programa Bilíngue, Mariane Werner Zen, a experiência possibilitou aos estudantes conhecer uma realidade que dificilmente seria acessada apenas por meio dos conteúdos estudados em sala de aula. “Eles puderam vivenciar uma cultura muito diferente da nossa e observar o cotidiano de perto. Além da dimensão cultural, foi uma oportunidade de conhecer o trabalho dos dehonianos em Macau e a presença da Igreja Católica na região”, explica.
Experiência marcante
A expectativa que antecedeu a viagem deu lugar, depois do retorno, à surpresa diante de uma realidade que superou o que os estudantes imaginavam encontrar. A organização das cidades, a limpeza, a arquitetura, a gastronomia e a diversidade cultural estiveram entre os aspectos mais citados pelo grupo.
Para Lucas Muller Coelho, que já participou de intercâmbios no Canadá e no Chile, a experiência em Macau foi especialmente marcante justamente por ser diferente das anteriores. O estudante conta que chegou ao destino sem muitas referências sobre o que encontraria e voltou ao Brasil com uma percepção muito diferente. “Foi uma experiência que superou minhas expectativas. Macau é uma cidade muito organizada, limpa e culturalmente muito diferente do que conhecemos. A arquitetura, os espaços verdes, os templos e a gastronomia chamaram muito a atenção”, relata.
A gastronomia, inclusive, tornou-se uma das descobertas do grupo. Os estudantes participaram de refeições tradicionais e tiveram contato com pratos muito diferentes da culinária brasileira, mas que acabaram conquistando o grupo. “A comida foi uma das maiores surpresas. No início, alguns pratos pareciam muito diferentes, mas fomos experimentando e descobrindo novos sabores. No final, já estávamos escolhendo novamente os pratos que havíamos gostado”, conta Alois Baumgartner Kohler.
A experiência também permitiu perceber a forte influência portuguesa em Macau. Placas e espaços públicos apresentam informações em português, inglês e chinês, e a presença da cultura portuguesa também aparece na gastronomia e no dia a dia da população. “Foi muito interessante encontrar o português presente no dia a dia de Macau. Muitas placas são trilíngues e também encontramos pessoas que falavam português, especialmente entre os mais velhos. Essa presença de Portugal na história de Macau como na história do Brasil tornou a experiência ainda mais interessante”, observa Lucas.
Educação e novas referências
O intercâmbio também incluiu visitas a instituições de ensino. O grupo conheceu escolas mantidas pela Diocese de Macau, que integram a rede de Colégios Diocesanos São José, além da Faculdade São José e da Universidade de Macau.
Nas escolas, os estudantes puderam observar a rotina educacional e identificar semelhanças e diferenças em relação ao Brasil. Segundo Mariane, o contato também trouxe referências que podem contribuir para o próprio Colégio São Luiz. “Visitamos diferentes espaços das escolas, especialmente bibliotecas e ambientes de leitura, e encontramos ideias interessantes que podemos trazer para a nossa realidade. Também foi importante perceber que, apesar das diferenças culturais e tecnológicas, há muitas semelhanças na rotina dos estudantes”, destaca.
Na Universidade de Macau, o grupo acompanhou de perto a rotina dos estudantes, observando momentos de estudo, pesquisa e convivência. A disciplina e o envolvimento dos universitários com as atividades acadêmicas chamaram a atenção dos alunos.
Para Maria Clara Ulber Feuzer, uma das principais descobertas esteve na experiência de viver uma rotina comum em um lugar tão distante. “O que mais me marcou foi viver o dia a dia. Caminhar pelas ruas, estudar e fazer atividades cotidianas em uma realidade tão diferente mostrou que é possível encontrar semelhanças mesmo do outro lado do mundo”, afirma.
Fé e diálogo com outras culturas
A dimensão religiosa também teve espaço importante durante a viagem. Os estudantes conheceram o trabalho dos padres dehonianos na região, visitaram igrejas e acompanharam celebrações católicas, algumas até realizadas em cantonês - língua oriunda do chinês e falada em Macau. O grupo também visitou templos budistas e taoístas, onde pôde observar diferentes formas de expressão da espiritualidade. “Foi uma oportunidade de conhecer outras manifestações religiosas com respeito e atenção. Nos templos, observamos as práticas, os momentos de oração e buscamos compreender o significado daqueles espaços para as pessoas que os frequentam”, explica Mariane.
A presença da Igreja Católica em Macau também surpreendeu os estudantes. Pedro Alexandre Fischer Sgrott destacou a experiência de conhecer uma comunidade católica que representa uma parcela pequena da população, mas que mantém uma atuação significativa. “Conhecer a força da comunidade católica em Macau, mesmo sendo uma minoria, foi uma das experiências que mais me marcou. É uma realidade diferente da nossa e que nos permite refletir sobre a maneira como a fé é vivenciada em outros contextos”, afirma.
Para Isabelle Bonomini Bork, o contato com moradores e comunidades locais também contribuiu para tornar a experiência mais profunda. Segundo ela, a acolhida recebida durante as visitas permitiu conhecer os espaços a partir da perspectiva de quem vive na região. “Fomos muito bem acolhidos e as pessoas estavam dispostas a nos apresentar a cultura local. Muitas vezes, elas explicavam detalhes e histórias que não conheceríamos sozinhos. Isso tornou a experiência muito mais significativa”, relata.
Experiência que permanece
Além dos conhecimentos adquiridos, os estudantes apontam a convivência como um dos principais legados do intercâmbio. As amizades construídas durante a viagem continuam por meio das redes sociais, mesmo após o retorno ao Brasil.
Para Maria Clara, que já havia participado de outro intercâmbio, a experiência também mostrou uma mudança pessoal entre as duas viagens. No primeiro contato internacional, ainda no início do Ensino Médio, ela se considerava menos comunicativa. Agora, percebeu-se mais independente e aberta ao diálogo com outras pessoas e culturas. “Percebi o quanto amadureci entre um intercâmbio e outro. Hoje me sinto mais comunicativa, independente e aberta a novas experiências. A viagem para Macau reforçou o quanto esse tipo de experiência contribui para o crescimento pessoal”, avalia.
A percepção é compartilhada por Alois, que realizou seu primeiro intercâmbio. Para ele, conhecer uma cultura tão diferente também ajudou a olhar para a própria realidade com mais atenção. “Conhecer outra cultura nos faz valorizar ainda mais aquilo que temos aqui. Ao mesmo tempo em que aprendemos sobre outras formas de viver, passamos a olhar para a nossa própria cultura e para a nossa família de uma maneira diferente”, afirma.
Lucas também considera que a viagem esteve entre as experiências mais marcantes de sua trajetória de intercâmbios. Para ele, a principal contribuição está na possibilidade de ampliar o conhecimento sobre outras culturas e idiomas. “Foi uma experiência que ampliou muito minha visão sobre outras culturas. Recomendo esse tipo de vivência porque conhecer diferentes países, línguas e costumes abre novas perspectivas e pode fazer diferença também no futuro”, destaca.
Para Mariane, o comportamento dos estudantes durante a viagem mostrou que o intercâmbio cumpriu também uma função formativa. “Eles foram muito participativos, atentos, respeitosos e questionadores. Quando tinham dúvidas, perguntavam e buscavam entender. Foi muito bonito acompanhar esse processo”, avalia.
O intercâmbio também abriu espaço para uma próxima etapa dessa relação. Depois de conhecer Macau e estabelecer contato com a comunidade local, o Colégio São Luiz se prepara para receber estudantes da região em 2028, ampliando a proposta de troca cultural e internacionalização da instituição.
Alunos de Brusque relatam experiências de intercâmbio em Macau, na China
Durante duas semanas, estudantes do Colégio São Luiz conheceram escolas, universidades, templos e vivenciaram aspectos educacionais, culturais e religiosos da região
Por Redação
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