O Hospital Azambuja realizou, no dia 28 de fevereiro, a primeira cirurgia cardíaca robótica do Vale do Itajaí, sendo também uma das pioneiras em Santa Catarina.
Para o cirurgião cardiovascular José Medeiros, o momento representa o resultado de um trabalho construído ao longo do tempo.
“Este é um momento histórico para o Hospital Azambuja e muito marcante para mim como cirurgião. Representa o resultado de muito planejamento, treinamento, integração de equipe e compromisso com a evolução da assistência ao paciente”, afirma.
Segundo ele, o avanço também impacta diretamente a região. “Mostra que é possível oferecer medicina de alta complexidade, com tecnologia avançada e qualidade, sem que o paciente precise necessariamente se deslocar para grandes centros. É um avanço importante para toda a comunidade”, destaca.
O que é a cirurgia cardíaca robótica
A cirurgia cardíaca robótica é um procedimento minimamente invasivo, realizado com o auxílio de uma plataforma robótica controlada integralmente pelo cirurgião.
O robô não atua de forma autônoma: ele funciona como uma ferramenta de alta precisão, que reproduz os movimentos do médico com extrema delicadeza e controle.
“A principal diferença em relação à cirurgia cardíaca convencional está no acesso cirúrgico. Em muitos casos, evitamos a abertura do esterno (‘osso do peito’), realizando o procedimento por pequenas incisões, com visualização ampliada em 3D e instrumentos articulados”, explica José Medeiros.
Ele ressalta que a indicação é sempre criteriosa e depende da avaliação individual de cada paciente.
Entre os principais benefícios da cirurgia cardíaca robótica estão a redução do trauma cirúrgico, menor dor no pós-operatório, recuperação mais rápida e menor tempo de internação, conforme o tipo de procedimento e a evolução clínica. Também há ganhos em conforto no pós-operatório e resultado estético.
“Cada paciente é único. A indicação depende da doença, da anatomia, das comorbidades e de uma avaliação cuidadosa para definir a estratégia mais segura e adequada”, reforça.
Trabalho integrado
O procedimento contou com a colaboração direta dos cirurgiões cardiovasculares Paulo César Santos e Cláudio Ribeiro Cunha, de Minas Gerais, referências no Brasil em cirurgia cardíaca robótica, que atuaram de forma integrada com as equipes do Hospital Azambuja.
De acordo com Medeiros, a presença desses profissionais foi fundamental para garantir segurança, padronização técnica e transferência de conhecimento em um momento pioneiro.
“A equipe do Hospital Azambuja participou de todas as etapas: planejamento do caso, organização do centro cirúrgico, anestesia, perfusão, instrumentação, enfermagem, cuidados intensivos e pós-operatório. Mais do que realizar um procedimento, estamos construindo uma capacidade institucional”, afirma.
Avanço institucional
Para o diretor administrativo do hospital, Gilberto Bastiani, a realização da primeira cirurgia cardíaca robótica representa um marco que vai além do procedimento em si.
“Esse é um passo histórico para o Hospital Azambuja e reflete uma decisão estratégica de investir em tecnologia, qualificação profissional e inovação. É o resultado de muito planejamento e do envolvimento de diversas equipes, sempre com foco em oferecer o melhor cuidado possível ao paciente”, destaca Bastiani.
Segundo ele, o avanço demonstra a capacidade institucional do hospital. “Projetos dessa complexidade só se concretizam quando há integração entre áreas médicas, multiprofissionais, técnicas, operacionais e administrativas. Esse resultado é coletivo e mostra a força da instituição”, completa.
O primeiro procedimento abre caminho para a consolidação de um programa de cirurgia cardíaca robótica no hospital, que deve avançar de forma progressiva e segura.
“O crescimento precisa ser criterioso, com seleção adequada de casos, treinamento contínuo e evolução por etapas. O objetivo é construir uma rotina sustentável, com qualidade e segurança”, explica Medeiros.
Equipe envolvida
A equipe diretamente envolvida neste primeiro procedimento foi formada pelos cirurgiões cardiovasculares Sandro Fadel, José Medeiros, Mateus Bueno e Maikon Madeira, com a colaboração dos cirurgiões convidados Paulo César Santos e Cláudio Ribeiro Cunha.
Também participaram de forma essencial as equipes de anestesiologia, cardiologia, ecocardiografia intraoperatória, perfusão, instrumentação cirúrgica e robótica, enfermagem do centro cirúrgico, além da equipe de UTI e assistência pós-operatória. O projeto contou ainda com o apoio da direção administrativa, técnica e clínica do hospital.
Recuperação tranquila
A primeira paciente submetida ao procedimento foi a aposentada Renate Fantini (74), moradora de Brusque, que na tarde de segunda-feira, 2, já se recuperava bem no quarto do hospital, acompanhada do esposo, Valmir Fantini (75).
Renate contou que nunca havia realizado qualquer procedimento cardíaco antes. O problema foi identificado durante acompanhamento médico, quando recebeu a orientação de que o tratamento indicado não seria apenas medicamentoso, mas cirúrgico.
“O médico explicou tudo com calma, mostrou como seria a cirurgia aberta e como seria a robótica. Quando ele explicou que na robótica não precisava abrir o peito, que seria só uma pequena incisão, nós optamos por essa”, relatou.
Tranquila e satisfeita com a recuperação, ela destacou o cuidado recebido. “Fui muito bem atendida por todos os médicos, por toda equipe. Agora estou me sentindo bem e amanhã já vou para casa”, afirmou.