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Cirurgia robótica

Hospital Azambuja realiza primeira cirurgia de cabeça e pescoço com robô Da Vinci

Cirurgia foi realizada em um paciente com carcinoma epidermoide, um tipo de câncer, nas amígdalas

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O Hospital Azambuja realizou  seu primeiro procedimento cirúrgico da especialidade de cabeça e pescoço. A cirurgia foi realizada em um paciente com carcinoma epidermoide, um tipo de câncer, na orofaringe, região conhecida como amígdalas. A cirurgia foi planejada em três etapas e realizada com o sistema robótico Da Vinci.

Na primeira, a equipe realizou a linfadenectomia, também chamada de esvaziamento cervical, para retirar os linfonodos do pescoço, estruturas conhecidas popularmente como gânglios. Na segunda, removeu o tumor na orofaringe com o auxílio do sistema robótico. 

Segundo o cirurgião Marcelo Belli, a plataforma proporciona exposição adequada da região e visão tridimensional para a retirada do tumor com margens de segurança, uma faixa de tecido ao redor da lesão. A última etapa consistiu na reconstrução da área operada com o autotransplante de um retalho antebraquial, tecido retirado do antebraço do próprio paciente e transferido para a orofaringe.

O procedimento reuniu profissionais de diferentes áreas. O Dr. Marcelo Belli foi o cirurgião principal e responsável pelo acompanhamento do paciente. A etapa robótica foi realizada pelo Dr. Felipe Barros de Souza Correia, integrante da equipe do Dr. Marcelo, com treinamento específico em cirurgia robótica e experiência no Hospital de Amor, em Barretos (SP). A reconstrução ficou sob responsabilidade do cirurgião plástico Dr. Ricardo Vanz e sua equipe.

“O procedimento aconteceu de forma tranquila e durou em torno de sete horas. O paciente se recuperou muito bem e já está reabilitado às suas funções de fonação e de deglutição”, relata Belli. 

Cirurgia transoral robótica

Segundo o médico, a principal aplicação da plataforma na especialidade está nas cirurgias transorais robóticas, conhecidas pela sigla TORS. Transoral significa que o acesso ao tumor é feito pela boca. O médico destaca seu uso para tumores da base da língua e das tonsilas..

Durante o procedimento, a câmera e os braços robóticos são posicionados dentro da boca com o auxílio de afastadores, instrumentos que mantêm espaço para o acesso à região. Belli explica que essa disposição permite à equipe se aproximar do tumor e realizar a ressecção, nome dado à retirada cirúrgica, com as margens de segurança necessárias.

Segundo Belli, o acesso pela boca evita cirurgias com acessos transmandibulares, que passam pela mandíbula. Um dos exemplos é a mandibulotomia, abertura planejada da mandíbula para acessos quando não há disponibilidade da cirurgia robótica.

Entre os benefícios da cirurgia robótica apontados pelo cirurgião estão a menor morbidade, ou seja, menor impacto da operação sobre o paciente, e a recuperação mais rápida. Belli também destaca que a técnica evita traqueostomias, aberturas feitas no pescoço para permitir a passagem de ar para a traqueia. Ele menciona ainda a aplicação em tumores da supraglote, parte da laringe localizada acima das cordas vocais, e de outros locais dessa região. “É um grande avanço para o tratamento oncológico desses tumores de cabeça e pescoço”, afirma.

Além da TORS, Belli explica que a plataforma permite realizar cirurgias de tireoide por acesso transoral e esvaziamentos cervicais por vias diferentes das tradicionais, com benefícios estéticos.

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