O Tribunal do Júri de Guabiruba condenou, na tarde desta segunda-feira, 1º de junho, um homem acusado de tentar matar a ex-companheira. O réu recebeu pena de 22 anos e 11 meses de reclusão, em regime inicial fechado. O julgamento marcou a primeira sessão do Tribunal do Júri desde a criação e instalação da comarca, em dezembro de 2025.
Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e reconheceram todas as circunstâncias majorantes apontadas pela acusação.
O crime ocorreu em agosto de 2025. Conforme o processo, a vítima já possuía medidas protetivas de urgência desde 2024, mas as determinações judiciais foram descumpridas pelo acusado.
Na data dos fatos, o homem tentou atropelar a ex-companheira e a filha do casal, ainda criança. Em seguida, ameaçou a mulher de morte, invadiu a residência dela e passou a agredi-la com socos, arrastando-a até que ela perdesse a consciência.
A ação foi interrompida após a intervenção de vizinhos, que prestaram socorro à vítima e acionaram a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram agravantes como a prática de violência contra a mulher em contexto de gênero, o fato de o crime ter ocorrido na presença da filha do casal, o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e o descumprimento das medidas protetivas de urgência.
Além das provas produzidas ao longo do processo, os jurados também tiveram acesso ao Mapa do Feminicídio, ferramenta desenvolvida pelo Ministério Público de Santa Catarina para auxiliar na compreensão e no enfrentamento da violência contra a mulher no estado.
Além da pena de prisão, o réu foi condenado ao pagamento de indenização de R$ 20 mil à vítima. Como permaneceu preso durante toda a instrução processual, teve a prisão mantida para início imediato do cumprimento da pena.
O promotor de Justiça Lucas Carvalho Mattiola, que atuou no caso, destacou a importância da condenação. Segundo ele, o resultado é histórico não apenas por marcar a primeira sessão do Tribunal do Júri da Comarca de Guabiruba, mas também por reforçar a mensagem de que crimes praticados contra mulheres, motivados por violência de gênero, não serão tolerados e serão exemplarmente punidos.
Foto: José Acacio