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RACHADINHA

Tudo o que sabemos sobre a condenação de Jones Bosio, Cleiton Bittelbrunn, Aloiz Diegoli e André Archer

Decisão é do juiz Edemar Leopoldo Schlosser, da Vara Criminal da Comarca de Brusque, assinada em 15 de maio

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Uma investigação que iniciou em 2021 levou à condenação de quatro acusados por envolvimento em esquema de rachadinha para políticos de Brusque. São eles: Jones Bosio, ex-secretário de desenvolvimento regional (atualmente preso); Cleiton Bittelbrunn, ex-vereador; Aloiz Diegoli, ex-diretor de Patrimônio; e André Archer, ex-diretor da Defesa Civil de Brusque.

A decisão é do juiz Edemar Leopoldo Schlosser, da Vara Criminal da Comarca de Brusque, assinada em 15 de maio. Todos foram condenados à reclusão, em períodos e regimes variados. Cabe recurso. A condenação foi trazida, em primeira mão, pelo jornalista Valdomiro da Motta.

Segundo a sentença, Jones e Cleiton, este vereador à época, criaram um esquema de rachadinha para obter vantagem indevida das pessoas que eram nomeadas para cargos na prefeitura sob influência deles, durante a gestão do ex-prefeito Ari Vequi (MDB à época).

Jones e o então vereador solicitavam que seus indicados repassassem uma quantia financeira mensal para eles, que girava em torno de R$ 500 a R$ 1,5 mil. Para fins de organização, o esquema contava com a participação de Aloiz, cunhado de Cleiton, e de André Archer.

Os dois servidores auxiliavam na captação mensal dos valores. Eles iam até às secretarias para recolher o dinheiro, sempre repassado em espécie. Após o recolhimento, repassavam para Jones e Cleiton, os destinatários finais das quantias.

O caso veio a público quando Aladin Farias Segundo, ex-servidor da Fundação Cultural de Brusque, decidiu conceder uma entrevista à imprensa sobre o tema, ainda antes de os fatos chegarem ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Penas aplicadas

Jones recebeu pena de nove anos e cinco meses de prisão, em regime inicial fechado. Atualmente, ele está preso no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, a Canhanduba, em Itajaí.

Cleiton foi condenado a cinco anos e cinco meses de prisão, em regime inicial semiaberto. Aloiz Diegoli recebeu pena de três anos e um mês de reclusão, em regime inicial aberto. Por fim, a condenação de André Archer foi de quatro anos e quatro meses de reclusão, em regime semiaberto.

Manifestações

As reportagens do Visão+ e do Brusque Discover entraram em contato com Cleiton Bittelbrunn e com a defesa de Aloiz Diegoli. No entanto, as ligações não foram atendidas. Não foi possível localizar a defesa de Jones Bosio. O espaço está aberto para manifestação dos três, caso desejem se pronunciar.

André Archer pediu demissão do cargo de diretor da Defesa Civil de Brusque nesta terça, após a repercussão da condenação. Ele se manifestou em nota. O agora ex-diretor disse que é inocente. Lembrou que a decisão é de primeira instância, não de caráter definitivo. A defesa elabora recurso. Confira a nota:

“Diante das notícias veiculadas recentemente pela imprensa, venho a público reafirmar, de forma categórica, a minha total inocência em relação aos fatos alegados no processo. Trata-se de uma decisão proferida em primeira instância, de caráter inicial e não definitivo. Minha defesa técnica já está trabalhando nos recursos cabíveis e tenho plena convicção de que o Tribunal restabelecerá a verdade, reconhecendo a lisura dos meus atos.

É fundamental esclarecer que a denúncia se refere a um período antigo e a um contexto completamente alheio às minhas funções recentes, não guardando qualquer relação com o trabalho que eu vinha desempenhando.

Ainda assim, em respeito à cidade de Brusque, aos cidadãos e à atual administração municipal, protocolei nesta data o meu pedido de exoneração do cargo que ocupava. Tomo essa decisão de forma voluntária e com a consciência tranquila. Sigo de cabeça erguida e confiante na Justiça”.

Prefeitura se manifesta

A Prefeitura de Brusque também se manifestou, para informar o pedido de demissão de André Archer. O Executivo afirma que os fatos investigados que levaram à condenação se referem a gestões anteriores.

“A Prefeitura de Brusque informa que o servidor André Cristiano Archer protocolou hoje, 19, seu pedido de exoneração do cargo que ocupava na atual administração, o qual foi aceito.

A respeito das notícias veiculadas pela imprensa, o Município esclarece, ainda, que os fatos objeto da ação judicial são estritamente pretéritos, ocorridos em gestões anteriores, não guardando qualquer relação com as diretrizes ou o período da presente gestão.

Por fim, por se tratar de uma decisão de primeira instância e sem trânsito em julgado, o andamento dos recursos cabíveis corre exclusivamente no âmbito da defesa individual do citado”.

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